O agronegócio atingiu um patamar recorde de população ocupada no ano passado. Foram 28,2 milhões de trabalhadores que se dedicaram à atividade. De outro lado, foi o menor número de pessoas ocupadas dentro da porteira, apenas 7,95 milhões. Os empregos saem do campo e vão para outras atividades relacionadas ao agronegócio.
O aumento da mão de obra vem acompanhado de uma elevação no nível de escolaridade dos trabalhadores, maior participação das mulheres na atividade e um aumento real dos rendimentos. Os dados são Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), que faz um levantamento do setor, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
O agronegócio, no conceito das entidades, leva em consideração a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária primária, agroindústria (processamento) e agrosserviços.
Mesmo com recorde de população ocupada, a evolução de mão de obra no agronegócio é mais lenta do que a registrada pelo país como um todo. Em 2024, os trabalhadores do agro representaram 26% do total dos do país, abaixo dos 28,9% de 2012, início da pesquisa.
Três dos setores avaliados aumentaram o número de pessoas ocupadas, elevando o quadro de trabalhadores em 580 mil. O setor primário, que inclui agricultura e pecuária, no entanto, reduziu as vagas em 302 mil. O saldo total dos postos de trabalho foi um acréscimo de 278 mil vagas, 1% a mais do que em 2023.
O agrosserviço, devido à amplitude de atividades relacionadas a ele, puxou o aumento no ano passado, gerando 338 mil novas vagas, 3,4% a mais do que no ano anterior. Esse setor, que tem uma população ocupada de 10,2 milhões, inclui os segmentos de transporte, armazenamento, administrativo, contábil, jurídico, comércio e outros.
O ano passado foi um período de recuperação da agroindústria, setor que empregou 232 mil pessoas a mais, com evolução de 5,2% sobre o ano anterior. O segmento que mais contratou foi o de abates de animais, incorporando 44 mil novos trabalhadores. Houve um recorde de abates e de produção de carnes. O desenvolvimento da agroindústria impulsionou a área de serviços.
Interligado ao setor de proteínas está o de insumos, que aumentou em 3,6% as contratações. O destaque positivo foi o de ração, que aumentou em 15% a população ocupada. O negativo ficou para a indústria de máquinas, que enxugou o quadro de trabalhadores em 5%.
Dentro da porteira, a agricultura eliminou 167 mil postos de trabalho, e a pecuária, 135 mil. Entre os setores mais afetados na agricultura estão cereais, com queda de 30 mil trabalhadores, e cafeicultura, com retração de 19 mil. Na pecuária, todos os principais segmentos tiveram redução na população ocupada.
Segundo o Cepea, uma combinação de fatores vem mantendo uma tendência de queda no número de trabalhadores no setor primário. A modernização da agropecuária traz mais produtividade e necessita de obra mais qualificada.
Há também uma redução no número de filhos nas famílias do campo e, muitos deles, migram para as áreas urbanas em busca de estudos e de novos empregos.
Esse cenário impacta principalmente o pequeno e o agricultor familiar. Os analistas das duas entidades alertam que são essenciais políticas públicas voltadas para a inclusão desses produtores no sistema.
O acompanhamento do Cepea revelou que o aumento da população ocupada veio tanto de produtores com carteira assinada como dos sem carteira assinada. O número de trabalhadores sem instrução caiu 5,4%; o dos que têm curso superior aumentou 4,2%.
O rendimento mensal da população ocupada do agronegócio subiu 4,5%, acima dos 4% da média nacional. As principais correções ocorreram na agroindústria de base agrícola, que teve aumento 5,7%, e na agricultura, que promoveu correção de 4,9%.
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