O yuan da China caiu para seus níveis mais baixos em sete semanas e os mercados de ações despencaram na abertura dos mercados asiáticos nesta quinta-feira (3), após o presidente dos EUA, Donald Trump, revelar um conjunto abrangente de tarifas recíprocas que foram particularmente pesadas para a China e seus principais parceiros comerciais.
Embora os investidores estivessem se preparando para essas tarifas na última semana, as últimas medidas punitivas de Washington se mostraram mais agressivas do que o esperado.
O índice CSI 300 da China, com ações listadas em Xangai e Shenzhen, abriu em queda de 0,5%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve queda de 1,7% na abertura.
O yuan atingiu uma nova baixa, registrando uma queda de 0,5% na abertura, em torno de US$ 7,30, o nível mais baixo desde 13 de fevereiro.
“Não há dúvida de que a grande surpresa negativa hoje foi a tarifa de mais de 50% sobre a China e sobre o Vietnã [46%] —afetando US$ 600 bilhões em bens manufaturados para os EUA”, disse George Saravelos, chefe de pesquisa de câmbio do Deutsche Bank, em nota.
Trump anunciou na quarta-feira (2) que imporia uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações para os Estados Unidos, além de taxas mais altas para dezenas de outros países.
As importações chinesas serão atingidas com uma tarifa de 34%, além dos 20% que ele impôs anteriormente, elevando o novo imposto total para 54%.
Trump também assinou uma ordem para fechar uma brecha comercial usada para enviar pacotes de baixo valor —aqueles avaliados em US$ 800 ou menos— isentos de impostos da China, conhecidos como “minimis”. A ordem cobre bens da China e Hong Kong e entrará em vigor em 2 de maio, segundo a Casa Branca.
Os países na cadeia de suprimentos da China foram os mais atingidos, com Vietnã, Camboja e Laos sendo atingidos com tarifas entre 46% e 49%.
O yuan perdeu a maior parte de seus ganhos este ano no último mês, apesar dos esforços do Banco Popular da China (PBOC) para mantê-lo estável.
A dinâmica comercial e as últimas tarifas sugerem que o yuan deve ficar sob pressão, disse Rodrigo Catril, estrategista sênior de câmbio do National Australia Bank.
“A grande questão para hoje é o PBOC ainda está determinado a defender essa linha.”
Trump iniciou a última guerra comercial com a China este ano com uma tarifa de 10% sobre as exportações chinesas para os EUA em fevereiro, depois aumentou com outra taxa de 10% em março, seguida por uma tarifa geral de 25% sobre importações de automóveis.
A crescente disputa comercial corre o risco de prejudicar o sentimento em relação à segunda maior economia do mundo, que foi vista como uma alternativa ao excepcionalismo dos EUA há apenas semanas, enquanto os investidores buscavam diversificação.
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