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Advogada de perseguido com arma contesta Zambelli – 01/04/2025 – Poder

A advogada Dora Cavalcanti, que representa Luan Araújo, homem que sofreu uma perseguição armada por Carla Zambelli na véspera do segundo turno da eleição de 2022, diz que a deputada federal do PL proferiu uma série de mentiras e distorções sobre o episódio em entrevista à Folha.

Dora afirma que, desde o dia do episódio, Zambelli busca inverter os papéis: “Naquele momento [em 2022] a Carla Zambelli foi às redes e já começou, muito potente nas redes, a gravar um vídeo em que ela invertia completamente os papéis e queria se colocar como vítima. Por isso que esse caso é tão dramático em termos de narrativa”.

“Ela nunca foi empurrada e o filho dela também nunca foi empurrado. Então, eu diria que, honestamente, até me espanta que ela repita essa narrativa”, diz Dora.

Na última semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para condená-la a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto e à perda de mandato. O julgamento está suspenso após pedido de vista (mais tempo para análise) feito pelo ministro Kassio Nunes Marques.

Luan atuou no processo como assistente de acusação. Zambelli foi denunciada pela PGR (Procuradoria Geral da República) em 2023 sob acusação de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma. A perseguição ocorreu nos Jardins, em São Paulo.

Dora contesta, como ponto que vê como mais simbólico –porque seria usado por Zambelli para se colocar como vítima– que a deputada diga que teria sido empurrada no dia junto com seu filho. “Ele [Luan] teve que resistir muito para se tornar efetivamente a vítima, para provar que ele era a vítima e não o autor dessa violência”, diz a advogada.

Em seu voto, o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, diz que Zambelli tenta correr em direção a Luan, “mas se desequilibra na calçada e cai, levantando-se com ajuda do policial militar Valdecir, que a acompanhava”.

Dora também diz que Luan não teria cuspido em Zambelli. Em trecho do voto, Gilmar aponta que, segundo um dos vídeos da ocasião, quando a deputada diz que Luan estava cuspindo, ele responde: “não estou cuspindo, estou falando com você”.

A advogada diz ainda que, no momento em que começa a discutir com Zambelli, Luan estava com apenas um outro amigo, que não eram quatro pessoas como diz Zambelli. “Não existe essa narrativa de que ela poderia ter se sentido ameaçada de alguma maneira”, diz a advogada.

Além disso, ela critica Zambelli por ter afirmado que os ministros talvez não tivessem visto no autos informações sobre seu porte de arma –ponto que é tratado pelo relator em seu voto, em resposta às teses da defesa da deputada, que são rejeitadas.

Outra alegação de Zambelli contestada é de que a atitude dela de sacar a arma naquele dia se justificaria porque ela só teria feito isso depois de ouvir um disparo e que não saberia inicialmente de onde ele partiu. Argumentou ainda que só teria tido conhecimento, mais tarde, de que o tiro tinha sido disparado pelo policial que a acompanhava.

Segundo Gilmar Mendes, em seu voto, essa alegação “não encontra respaldo na dinâmica factual apurada ao longo da instrução processual”, acrescentando que a versão é contraditória: “Após as agressões verbais recíprocas, a vítima [Luan] está a todo momento tentando se evadir do local”.

O ministro afirma ainda que nenhuma testemunha respalda a versão de Zambelli e que, em nenhum dos vídeos nos autos, “há sequer a possibilidade de vislumbrar qualquer dado objetivo” que indicasse que Luan portava uma arma.

Diz também que, dos vídeos, é possível extrair, que “em momento algum a acusada perde a visão direta da vítima e dos acontecimentos a ponto de inferir que o estampido teria vindo de arma de fogo conduzida pelo ofendido”.

Já a ministra Cármen Lúcia, em seu voto, chegou a classificar a linha da defesa nesse ponto de delirante. “No momento do disparo, Valdecir Dias dista poucos passos da denunciada e não há obstáculo visual algum entre ambos. Essa circunstância, aliada ao fato de que Luan Araújo corria de mãos vazias, torna esta alegação delirante e completamente isolada das provas colhidas.”

Zambelli chegou a mover contra Luan um processo de difamação devido a um artigo que ele publicou na internet com críticas a ela depois do episódio. A advogada que representa Luan nesse outro caso defende que o texto está dentro da liberdade de expressão.

Após o Supremo formar maioria, Luan disse em nota que espera que a decisão da corte ajude a população a entender que o processo democrático “não tolera tal atitude –especialmente vinda de uma parlamentar”.

“Foi um momento extremamente doloroso, que não desejaria nem ao meu pior inimigo. Até hoje, preciso de acompanhamento médico e psicológico”, disse. “Costumo dizer que, como homem preto e periférico, sofro uma abordagem policial por ano, mas nunca imaginei passar por algo assim em um momento tão delicado para a democracia brasileira”, disse.

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