O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acompanha nesta quarta-feira (26) o segundo dia do julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal) do gabinete de seu filho Flávio (PL-RJ) no Senado.
Havia uma expectativa de aliados que ele fosse ao tribunal, como na terça-feira (25), mas prevaleceu a tese de que o enfrentamento político que buscava com esse simbolismo já teve efeito na véspera.
No Senado, Bolsonaro está acompanhado ainda da senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF) e do ex-ministro Gilson Machado.
Ela disse ter feito uma oração com ele no local.
Pela manhã, até o início do julgamento, auxiliares ainda discutiam com o ex-presidente a possibilidade de ele ir ao tribunal.
Ao ir à sessão no primeiro dia, Bolsonaro repetiu simbolicamente gesto do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, quando se sentou à mesa da defesa em julgamento em Nova York. Em casos penais, no entanto, a presença do acusado é obrigatória nos EUA. No Brasil, não.
Na ocasião, Trump foi condenado por fraude, sob acusação de ter comprado o silêncio de uma atriz pornô com quem teria tido um relacionamento. Assim como Bolsonaro, o republicano dizia ser alvo de perseguição política. Apesar da condenação, meses depois, foi eleito ao cargo.
A ida do ex-presidente ao STF já vinha sendo defendida por aliados desde a véspera e contou com o aval da sua equipe de advogados.
A ideia, segundo esses aliados, é passar uma mensagem de enfrentamento ao encarar os seus “algozes”, como chamam os ministros da Primeira Turma do tribunal.
Sentado à frente dos ministros, Bolsonaro levou em seu paletó a Medalha do Pacificador com Palma —uma das principais honrarias militares.
Quando estava no Planalto, ele usava o acessório quando queria denotar coragem, como em debates eleitorais ou quando foi entrevistado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, em 2022.
A condecoração foi entregue ao capitão reformado em 2018, por uma ação de 40 anos antes, em 1978, quando Bolsonaro ajudou a retirar da lagoa um soldado que se afogava.
A medalha é concedida para militares e civis que, em tempos de paz, tenham realizado “atos pessoais de abnegação, coragem e bravura” com risco de morte.
O próprio Bolsonaro pleiteou a medalha em setembro de 2013. Ele enviou um ofício ao então comandante do Exército, Enzo Peri, pedindo a abertura de um processo interno para avaliar a entrega da honraria.
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