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Colômbia vai operar caças Gripen feitos no Brasil – 03/04/2025 – Poder

Após anos de debate, o governo da Colômbia escolheu o sueco Saab Gripen E/F como seu novo avião de combate. A decisão vai transformar o Brasil, que também optou pelo modelo em 2014 e deve ver a primeira aeronave montada no país voar neste ano, em exportador de caças supersônicos no futuro.

O anúncio da escolha foi feito pelo no X pelo presidente Gustavo Petro, que destacou o fato de o Gripen estar em operação no Brasil. “Isso poderá gerar benefícios industriais para o Brasil, especialmente na produção, manutenção, treinamento e logística”, disse nesta quinta (3) o presidente da fabricante Saab, Micael Johansson.

Em uma entrevista à Folha na terça (1) no Rio, onde participou da feira militar LAAD, Johansson havia dito estar “a caminho de uma capital sul-americana”. Segundo ele, a ideia é usar a linha de montagem implantada pela Saab na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP) para fornecer aviões na região.

A ampliação do centro brasileiro visa desafogar a linha na Europa, que já prevê o aumento de demanda tanto do governo sueco quanto de outros países devido à nova configuração geopolítica do continente, com Donald Trump ameaçando deixar os europeus sozinhos, o que levou a anúncios seguidos de aumento do gasto militar.

Os números do negócio não estão fechados ainda, mas a Colômbia quer 16 caças para substituir seus antigos supersônicos israelenses Kfir, cujo desenho foi roubado pela inteligência de Tel Aviv do modelo francês Mirage-5 quando Paris decidiu vetar a venda do caça ao Estado judeu, nos anos 1970.

Hoje, Bogotá opera cerca de 10 dos 24 Kfir originais. Seus modelos mais capazes são os brasileiros A-29 Super Tucano, dos quais tem 24 unidades. A Saab ainda mira um contrato no Peru, que está em discussão.

Na Colômbia, foi derrotado o modelo americano F-16. O azedume entre Petro e Donald Trump, que ameaçou o país com elevação de tarifas de importação quando os andinos se recusaram a receber imigrantes ilegais deportados, pesou na escolha pelos suecos. Também estava no páreo, visto como favorito pelos militares do país, o francês Dassault Rafale.

Para a Saab, é uma vitória importante, que veio na sequência da escolha do Gripen como novo caça tailandês e a eliminação do F-35 americano da lista de escolhas em Portugal, aumentando as chances suecas. Novamente, a conta fica para Trump: os portugueses estão irritados com a política hostil da Casa Branca ante a Europa e a aliança militar Otan.

A escolha também dá uma garantia a mais ao projeto tecnológico do Gripen brasileiro, que perigava ver o parque instalado no país ser subutilizado no longo prazo. Quanto mais clientes, mais aviões, mais manutenção e afins.

Devem ser favorecidas, além da Embraer, as mais de 60 empresas brasileiras envolvidas no projeto. O caça, por óbvio, será sueco, mas terá um grau grande de nacionalização e o provável selo “made in Brazil”, incrementando a pauta de exportação com alto valor agregado.

Além disso, a Força Aérea Brasileira estará em posição de ajudar no treinamento dos pilotos colombianos. Até aqui, 14 aviadores brasileiros estão aptos a voar os oito Gripen já entregues à FAB, e um deles foi formado inteiramente no Brasil, sob instrução sueca.

No projeto brasileiro, 15 dos 36 aviões serão montados no Brasil. Devido ao histórico de soluços orçamentários nos primeiros anos da parceria, além de questões naturais do desenvolvimento de um novo modelo de avião, a frota que deveria estar completa em meados desta década só deverá ser finalizada perto de 2030.

O Brasil agora quer comprar mais 14 caças, na forma de um aditivo no contrato original, algo na casa dos R$ 4 bilhões. As discussões estão paradas na prática, mas avançaram politicamente, com a Suécia anunciando a aquisição de quatro aviões de transporte C-390 da Embraer —as partes não usam o termo venda casada, mas na prática essa é a intenção.

No caso colombiano, a compensação negociada é de outra natureza. “Haverá um investimento social constituído de uma fábrica de painéis solares, instalação de água potável e restauração de equipamentos médicos de última tecnologia”, disse Petro.

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