Umberto Ferrara, antigo preparador físico de Jannik Sinner, rejeitou nesta quinta-feira (3) perante a imprensa italiana qualquer responsabilidade no caso de doping que custou ao número 1 do tênis mundial uma suspensão de três meses, e apontou o dedo para Giacomo Naldi, antigo fisioterapeuta do italiano.
Testando positivo para clostebol, um esteroide anabolizante, em março de 2024 durante o Masters 1000 de Indian Wells, Sinner, vencedor de três títulos de Grand Slam aos 23 anos, tem argumentado desde que o caso foi revelado que ele foi acidentalmente contaminado por meio de uma massagem que recebeu de um membro de sua equipe.
Sobre o spray que o incrimina, Ferrara explicou à Gazzetta dello Sport em sua primeira declaração pública: “Eu o utilizo há anos porque foi indicado por um médico especialista para tratar uma patologia crônica”.
“Estava perfeitamente ciente da proibição e sempre o mantive guardado com a maior prudência, no meu nécessaire de higiene pessoal”, prosseguiu.
“Não o dei a Naldi, sugeri que o utilizasse para tratar um corte que não cicatrizava e que dificultava seu trabalho. Fui muito claro ao comunicar-lhe a natureza desse produto e a necessidade de que não entrasse em nenhum caso em contato com Jannik. De fato, autorizei seu uso apenas no meu banheiro pessoal. Naldi não negou ter sido informado, mas disse que não se lembra”, insistiu Ferrara.
O preparador físico assegura que não tinha “de forma alguma” ideia de que Naldi tivesse tratado Sinner sem luvas ou sem ter lavado as mãos após usar o spray.
“Olhando para trás, é fácil dizer que não faria o mesmo novamente. Sem dúvida, não confiaria no comportamento dos outros”, sublinhou Ferrara que, assim como Naldi, deixou de trabalhar para Sinner em agosto passado, e atualmente faz parte da equipe de Matteo Berrettini, 27º do mundo.
A Itia (Agência Internacional para a Integridade do Tênis) não impôs inicialmente nenhuma suspensão a Sinner. Mas a Wada (Agência Mundial Antidoping) recorreu, o que expunha o italiano a uma suspensão de um a dois anos, antes que as duas partes chegassem a um acordo em 15 de fevereiro, que foi criticado por numerosos tenistas e especialistas.
Desde 9 de fevereiro até 4 de maio, Sinner cumpre uma suspensão de três meses. Seu retorno às competições está previsto para o Masters 1000 de Roma, entre 7 e 18 de maio.
Apesar de não competir desde o título do Aberto da Austrália, em janeiro, o italiano se mantém como o líder do ranking.
Depois dos primeiros Masters 1000 do ano, de Indian Wells e Miami, nem o alemão Alexander Zverev (2º), nem o espanhol Carlos Alcaraz (3º) conseguiram se aproximar de Sinner, que se mantém com uma cômoda vantagem de quase 3.000 pontos antes do início da temporada de saibro.
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