O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira (4) que liberou os deputados do partido para assinarem a urgência para votação do projeto de lei que propõe anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
Ele afirmou que a bancada está dividida e que “vai respeitar a posição de cada um”. Nesta semana, o vice-líder do PSD na Câmara dos Deputados, Reinhold Stephanes (PSD-PR), assinou o pedido de urgência.
“A bancada está mais ou menos dividida. Está caminhando assim. O líder [Antônio Brito (BA)] está conduzindo com serenidade. Vamos respeitar a posição de cada um. Vamos aguardar os acontecimentos. Temos o maior respeito por todas as posições”, disse Kassab à Folha, após participar de reunião do PSD-RJ, num hotel em Copacabana (zona sul).
Também do PSD, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, manifestou-se contra a anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
“Não acho que tem que ter anistia. Eu acho que o que tem que se fazer é a justiça julgar com seriedade, imparcialidade, tranquilidade. E eu confio no Judiciário do meu país. Até nos momentos mais difíceis, quando parecia que fazia algum tipo de perseguição política lá atrás. Estou falando objetivamente à Operação Lava Jato. Então é isso. É confiar na Justiça”, afirmou o prefeito.
Moraes
Kassab disse considerar uma “bobagem” a vinculação feita por Jair Bolsonaro entre a discussão sobre o projeto de lei e a avocação, pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de um inquérito em que figura como investigado. O ex-presidente classificou a decisão como uma forma de pressão contra a anistia dentro do comando do PSD.
“Bobagem. Mudou a jurisprudência e todos os processos subiram. Talvez haja falta de informação de alguns. Estou super tranquilo”, disse ele.
Bolsonaro usou a decisão de Moraes sobre o presidente do PSD para criticar o ministro do Supremo nas redes sociais.
Segundo ele, há constantes notícias do “uso da justiça por Moraes como arma política, de intimidação, como instrumento de ‘pressão’ capaz de surtir efeito para intimidar o presidente de um partido. Isso não é normal, a não ser em ditaduras”.
Moraes determinou o retorno à corte dos autos de investigações sobre políticos como Kassab, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) e o ex-ministro do Meio Ambiente e deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP).
Todas essas apurações haviam sido enviadas a instâncias inferiores porque os políticos deixaram os cargos e perderam o foro especial. Com a mudança de entendimento do Supremo a respeito do tema, Moraes ordenou que todos os casos sob sua relatoria voltem ao tribunal.
Kassab iniciou no último mês movimento de aproximação com o ex-presidente Bolsonaro, com o intermédio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em busca do apoio do partido ao projeto de lei que prevê anistia aos presos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Em ato no Rio de Janeiro no último dia 16, o ex-presidente afirmou ter o apoio do presidente do PSD para a anistia.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem segurado a pressão de deputados bolsonaristas para pautar o projeto de lei que propõe a anistia.
CANDIDATURA PRÓPRIA
Kassab afirmou que a posição majoritária na sigla é em favor da candidatura própria para a disputa pela Presidência no ano que vem. Afirmou que o governador do Paraná, Ratinho Jr., será o candidato caso o partido decida encabeçar uma chapa.
“Se o partido tiver candidato, o Ratinho será esse candidato. Ele se dispõe a ser, está muito bem preparado. Caso o partido tenha candidato, estará muito bem representado. Caso vença as eleições será um grande presidente. Porque está testado e aprovado no Paraná”, disse ele.
Ratinho Jr. se encontram nesta sexta-feira (4) pela primeira vez após a eleição municipal e na mesma semana em que o governador dá largada à sua pré-campanha por uma vaga à Presidência da República em 2026.
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