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Lula: apostas em popularidade não vingam e frustram PT – 02/04/2025 – Poder

As mudanças na comunicação e a entrega de programas que eram apostas do governo Lula (PT) para recuperar a popularidade do presidente não surtiram efeito até agora e o governo tem dificuldade de traçar uma estratégia para mudar esse cenário, avaliam integrantes do Executivo e parlamentares. A preocupação é, principalmente, com a perda do eleitor tradicional do partido —mulheres, nordestinos e pobres.

O diagnóstico causou um desânimo generalizado entre os petistas em reunião ocorrida na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (2). O encontro tinha como pauta a anistia ao golpistas de 8 de janeiro e o novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas o clima foi de pessimismo, segundo relatos, com a percepção de que o governo já executou as entregas e ainda não encontrou uma maneira de reagir.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta mostrou que não houve a recuperação esperada pelos petistas na popularidade. Em janeiro, 37% dos eleitores tinham avaliação negativa do governo e agora são 41%. As opiniões positivas caíram de 31% para 27%. A queda ocorreu inclusive entre o eleitor tradicionalmente mais simpático ao petista, como as mulheres e os moradores do Nordeste.

Os dados sobre a dificuldade de recuperação já eram detectados em pesquisas internas do governo, segundo relatos à Folha, mas vão na direção contrária ao que esperava o governo e o PT, que em janeiro defendiam que a perda de popularidade era passageira e atrelada a alta nos preços dos alimentos e à crise do Pix. A expectativa era de que a entrega de ações e programas mudaria esse quadro.

As apostas, na avaliação dos petistas e aliados, se mostraram insuficientes até o momento. A liberação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quem optou pelo saque-aniversário e foi demitido, por exemplo, teve a primeira parcela da verba depositada em março. Foram R$ 6 bilhões injetados para evitar a desaceleração da economia, afetada pelo aumento das taxas de juros.

O “crédito do trabalhador”, consignado para os celetistas, levou a R$ 3,1 bilhões em empréstimos em duas semanas. O tema, no entanto, é atacado nas redes sociais pela direita, que acusa o governo de endividar os trabalhadores, e até por aliados. “Essa será uma marca negativa para o governo porque vai causar um desespero ainda maior em quem está endividado”, disse o deputado André Figueiredo (CE), presidente em exercício do PDT nacional. “Isso será positivo só para os bancos.”

Uma expectativa que os petistas e aliados mantêm para melhorar a imagem de Lula é o Pé-de-Meia, que teve os primeiros pagamentos liberados a partir de 31 de março para estudantes de baixa renda. Além disso, deve ser anunciada em breve a ampliação do público-alvo do Minha Casa, Minha Vida.

No prazo mais longo, a esperança é de que as mudanças no Imposto de Renda, com o aumento da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5.000 mensais, melhore o humor do eleitorado. A medida deve beneficiar cerca de 10 milhões de pessoas. Entretanto só terá efeito em 2026.

Outra aposta ocorrerá nesta quinta-feira (3) em um evento em Brasília para fazer o balanço de ações do governo Lula e a comparação com o governo Jair Bolsonaro (PL). Com o nome de o “Brasil Dando a Volta por Cima”, a estratégia é buscar o eleitor tradicional do PT, como as famílias de baixa renda.

Na visão do partido e do governo, esses eleitores foram influenciados pelo discurso de direita e propagandas nas redes sociais. Para retomar os patamares de aprovação do ano passado, a percepção é de que é preciso primeiro recuperar a boa avaliação entre esses segmentos.

De acordo com interlocutores, o discurso do presidente será centrado em faixas mais avessas ao partido e à esquerda. Lula defenderá que o brasileiro é alguém que trabalha, se esforça e que conquista por seus próprios méritos, num aceno aos trabalhadores autônomos. Além disso, dirá que o governo atua a favor das famílias brasileiras com programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

O evento pretende apresentar um balanço das ações do governo federal nesses dois primeiros anos de mandato, destrinchando programas e iniciativas de cada pasta. A solenidade é um dos passos do governo para tentar jogar luz sobre o que seus representantes veem como pontos fortes e realizações da gestão e também reverter a queda de popularidade do presidente.

Segundo um auxiliar de Lula, a ideia é mostrar essas ações em uma linguagem de maior compreensão para a população, a exemplo de como foi orientado pelo chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência, Sidônio Palmeira, em reunião fechada com assessores do governo em março.

Na ocasião, ele afirmou que marcas e programas do governo precisam estar “na ponta da língua” de todos os integrantes da gestão e sugeriu comparações para exemplificar esses dados. Ele citou como exemplo a quantidade de pessoas que deixaram de passar fome no Brasil nesses dois anos e sugeriu que, em vez de tratar o dado bruto, seria melhor tentar demonstrar o que esses números representam. Nesse caso, usou como comparativo a quantidade de pessoas que cabem num estádio lotado.

O mote do evento será “O Brasil Dando a Volta Por Cima”. Um integrante da Secom diz à Folha que esse não será o novo slogan do governo, mas reconhece que existem conversas sobre alterar o atual lema da gestão, “União e Reconstrução”, usado pelo Executivo desde 2023.

Líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (CE) afirma que, ao mostrar o que entregou e vai entregar, o governo tem plenas condições de reversão nas pesquisas e de estar competitivo em 2026, a exemplo do que aconteceu com o ex-presidente Bolsonaro –que mesmo mal avaliado quase se reelegeu. “Não há motivo para desespero, nem para projeções pessimistas para 2026. Temos condições de revertermos e estarmos competitivos em 2026”, disse.

Segundo ele, o balanço é muito importante para a recuperação da aprovação do governo, que, na avaliação do deputado, já está em curso, embora o processo de reversão dos números seja mais lento.

Do lado do centrão, o diagnóstico é o mesmo da virada do ano, quando a popularidade de Lula começou a despencar: o presidente demora a tomar as decisões, como a reforma ministerial e na elaboração do pacote fiscal, o que faz o Executivo sangrar. Além disso, tem dificuldade de pautar a agenda política e quase sempre é ofuscado pelo ex-presidente Bolsonaro, cujas ações repercutem mesmo fora do cargo.

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