O ouro disparou para um recorde histórico acima de US$ 3.000 por onça troy (em torno de 31 gramas), diante de temores sobre a ameaça ao crescimento global com a guerra comercial de Donald Trump, o que levou investidores a buscar o metal como refúgio seguro.
O preço do ouro subiu para US$ 3.132 nesta terça-feira (1º). O ouro tem sido um dos ativos de melhor desempenho no mundo desde que Trump assumiu o cargo em janeiro, e subiu 14% desde o início do ano.
As políticas tarifárias do presidente dos EUA geraram preocupações de que uma guerra comercial global alimentará a inflação e causará uma desaceleração econômica nos EUA e além, fazendo com que as ações de Wall Street entrem em correção e aumentando o apelo do ouro.
As expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) também impulsionaram o ouro, que, como um ativo sem rendimento, geralmente se beneficia de custos de empréstimo mais baixos.
“Tanto investidores institucionais quanto privados estão recorrendo ao ouro para proteger seus portfólios contra turbulências econômicas”, disse Alexander Zumpfe, negociante sênior de metais preciosos na Heraeus.
“O mercado físico de ouro está experimentando uma forte demanda” porque os metais preciosos são valorizados como proteção contra crises econômicas, acrescentou.
Os últimos grandes marcos de preço do ouro foram durante a crise financeira, quando ultrapassou US$ 1.000 por onça troy em março de 2008 —e durante a pandemia de Covid-19, quando os preços atingiram US$ 2.000 em agosto de 2020.
Preocupações de que Trump possa impor tarifas sobre o ouro levaram a um aumento sem precedentes de barras de ouro em Nova York, onde os estoques na Comex atingiram níveis recordes.
Desde que Trump foi eleito, mais de US$ 70 bilhões em ouro foram transportados para Nova York, embora esse fluxo tenha começado a desacelerar recentemente.
O aumento inesperado nos preços do ouro neste ano fez com que bancos de investimento corressem para revisar suas previsões de preço. Pelo menos quatro bancos —Citibank, Goldman Sachs, Macquarie e RBC— elevaram suas previsões nas últimas semanas.
O aumento acima de US$ 3.000 significa que o ouro subiu quase dez vezes desde 2000, superando os principais índices de ações.
“O ouro é a classe de ativos de melhor desempenho do século 21 até agora”, disse Adrian Ash, diretor de pesquisa da BullionVault, uma plataforma de negociação de ouro. Desde o início do milênio, o ouro se beneficiou de choques de mercado como a crise financeira de 2008 e o voto do Brexit no Reino Unido em 2016, bem como do aumento dos conflitos geopolíticos, disse ele.
“Essa foi a mudança radical para o ouro, aquela arrogância que a democracia ocidental tinha há 25 anos foi absolutamente destruída”, disse Ash.
O aumento do ouro nos últimos anos também foi impulsionado pela demanda de bancos centrais à medida que diversificam suas reservas para longe do dólar americano. Bancos centrais, principalmente em mercados emergentes, compraram mais de mil toneladas de ouro anualmente nos últimos três anos consecutivos.
John Ciampaglia, CEO da Sprott Asset Management, disse que os crescentes níveis de dívida governamental foram um dos maiores fatores impulsionando o desempenho do ouro desde o início do milênio.
“Os níveis globais de dívida explodiram nos últimos 25 anos, eles estão começando a realmente pesar sobre as economias e orçamentos”, disse Ciampaglia. “É por isso que o ouro se provou como uma reserva de valor, não nos últimos 25 anos, mas nos últimos 5.000 anos, porque pode manter seu valor em relação às moedas tradicionais.”
O impulso do ouro sugere que os preços provavelmente subirão ainda mais este ano, de acordo com Michael Haigh, analista de commodities da SocGen, que prevê um preço de US$ 3.300 por onça troy até o final do ano.
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