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PSDB retalia Raquel Lyra e dá comando a aliado de Campos – 03/04/2025 – Poder

Em retaliação à governadora Raquel Lyra, o PSDB realizou uma intervenção no diretório do partido em Pernambuco e entregou o comando da legenda no estado ao presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto.

Desafeto político da gestora, ele é aliado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), cotado para disputar o governo estadual contra Raquel nas eleições de 2026.

A governadora deixou o PSDB no dia 10 de março e migrou para o PSD, após meses de articulação com o partido presidido por Gilberto Kassab.

A intervenção do PSDB no diretório de Pernambuco frustra os planos da governadora de manter a sigla na sua base aliada de olho nas eleições de 2026, mesmo após migrar para o PSD. Um dia antes de Raquel sair da legenda, a vice-governadora Priscila Krause deixou o Cidadania e se filiou ao PSDB, em manobra combinada com a governadora.

Na manhã desta segunda-feira, Priscila Krause anunciou a desfiliação, menos de um mês após ter entrado no partido.

“A decisão do PSDB nacional de intervenção no diretório de PE é ato que não dialoga com a democracia, que marcou a história da sigla”, escreveu a vice-governadora em redes sociais.

Além de Priscila, os 32 prefeitos do PSDB anunciaram a saída do partido nesta quinta-feira (3). Entre eles está o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, sucessor de Raquel na função. A tendência é que os gestores e a vice-governadora migrem para o PSD, que já tem mais de 20 prefeitos filiados no estado.

O presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, afirma que a debandada era esperada.

“Já era esperado. Foi calculado. O partido adotou uma posição politica ao entregar o comando a um chefe de Poder [Álvaro Porto] que está comprometido a fazer nominatas competitivas de candidatos proporcionais, especialmente à Câmara Federal, e participar com independência da discussão sobre a chapa majoritária”, diz Perillo à Folha.

O filho do presidente da Assembleia Legislativa, Gabriel Porto, deve ser candidato a deputado federal pelo PSDB. A prioridade da sigla é eleger parlamentares para a Câmara, a fim de tentar recuperar o protagonismo no cenário político nacional.

Outros dirigentes da Executiva Nacional do PSDB, que aprovou a intervenção na noite da quarta-feira (2), disseram, reservadamente, que há uma mágoa com a governadora. Segundo eles, Raquel teria sido ingrata com o partido que a abrigou em 2016, quando ela saiu do PSB após não conseguir viabilizar candidatura a prefeita de Caruaru, cargo para o qual foi eleita pelo PSDB.

Um ponto de queixa dos dirigentes do partido é a manobra articulada por Raquel ao pedir a filiação da vice-governadora ao PSDB sem combinar com a cúpula da legenda.

Novo presidente do PSDB, Álvaro Porto terá seis meses para organizar uma nova eleição para o diretório de Pernambuco do partido.

Um dos primeiros quadros a apoiar Raquel Lyra nas eleições de 2022, ele é atualmente desafeto da governadora, com quem tem relações políticas rompidas desde 2023.

Desde que assumiu a presidência do Legislativo, Álvaro Porto tem defendido a independência do Poder em relação ao Executivo, o que desagrada à governadora, já que pautas que contrariam o Palácio do Campo das Princesas foram aprovadas no período.

Por outro lado, o entorno de Raquel vê uma tentativa do deputado de enfraquecê-la e ajudar Campos, de quem o presidente da Assembleia se tornou aliado. A tendência é que Álvaro Porto leve o PSDB para apoiar a possível candidatura do prefeito do Recife no próximo ano.

Um áudio vazado durante uma sessão com participação de Álvaro e Raquel, em fevereiro de 2024, expôs críticas do deputado à governadora. Na ocasião, o PSDB Nacional classificou as falas dele como “agressivas”.

O Legislativo pode votar, nas próximas semanas, uma proposta de emenda à Constituição estadual que prevê a ampliação, de imediato, das emendas parlamentares de execução obrigatória, as chamadas emendas impositivas, de 0,8% para 2% da receita corrente líquida do estado.

A medida desagrada ao governo estadual, já que Raquel Lyra teria menos espaço para decidir onde aplicar as verbas.

Além disso, o presidente da Assembleia deve entrar na Justiça, nos próximos dias, contra o governo pelo não pagamento de emendas pendentes de 2024. Segundo os deputados, há R$ 97 milhões pendentes de pagamento de um total de R$ 188 milhões.

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