Se alguém imagina que montanhistas são seres românticos que sobem pirambeiras só pelo ideal de ver o mundo de cima, pode pensar de novo. Nesse cenário, como na maioria dos esportes, a competitividade é tamanha que foram criados vários conjuntos de metas a serem cumpridas pelos cidadãos que vivem com a mochila às costas. Disputa-se quem vai subir mais alto, depois quem vai subir mais alto em menos tempo, daí a pouco quem sobe mais alto em menos tempo sem oxigênio suplementar, enfim, todo mundo quer uma marca para chamar de sua e despertar olhares de admiração nas rodinhas dos acampamentos do planeta.
Um dos desafios que mais montanhistas procuram completar é a conquista dos chamados sete cumes, as montanhas mais altas de cada continente. De uns anos para cá, entretanto, os sete podem ser oito, com a inclusão do mais modesto monte Kosciuszko, a depender da lista escolhida pelo candidato.
Em todo caso, quem quiser carimbar seu passaporte de montanhista raiz e sair por aí subindo pirambeiras, pode preparar o fôlego —e a carteira. Além de equipamentos específicos, quesito no qual o céu é o limite para a escolha de cada um, e a importância de promover um bom preparo físico voltado para cada ambiente, toda subida a um desses emblemáticos cumes cobra uma taxa chamada de permissão de escalada.
No mais próximo aqui na América do Sul, o Aconcágua (6.962 metros de altitude), pode-se tentar o acesso de forma independente, ou seja, sem contratação de uma agência, e a permissão custa US$ 1.050 (R$ 5.985 no câmbio desta quarta, 26). Se a pessoa preferir ir com uma agência, o custo total está ao redor de US$ 5.000 (R$ 28.500). Dos sete (ou oito), é a segunda montanha mais alta, só ficando abaixo do Everest (8.848 metros de altitude), na fronteira do Nepal com a Índia. Neste caso, entretanto, o custo é bem mais alto: só a permissão emitida pelo governo do Nepal sai por US$ 15.000 (R$ 85.500). Como é obrigatório escalar com um guia e a demanda de equipamentos e infraestrutura é muito maior e mais sofisticada, a soma final pode variar entre US$ 40.000 (R$ 228.000) e US$ 150.000 (R$ 855.000).
Se a América do Sul tem seu cume, a América do Norte foi considerada um continente à parte nesse ranking. Lá, o pico mais alto é o Denali, no Alaska, com 6.194 metros de altitude, que pode ser escalado junto a uma das cinco agências cadastradas pelo governo dos Estados Unidos —que, por sinal, na gestão Donald Trump, resolveu mudar o nome da montanha para McKinley, para raiva dos nativos. Com elas, a viagem sai por aproximadamente US$ 13.000 (R$ 74.100). Mas o cidadão pode se arriscar por conta própria, pagando a mais módica taxa de acesso de US$ 2.500 (R$ 14.250).
A subida ao ponto mais alto da África, o Kilimanjaro, na fronteira da Tanzânia e do Quênia, precisa ser contratada junto a uma agência local. O custo depende do perfil dos montanhistas e sua capacidade de aclimatação, mas pode-se chegar ao cume por algo variando entre US$ 3.000 (R$ 17.100) e US$ 5.000 (R$ 28.500).
Na Europa, o monte mais alto fica na Rússia. É o monte Elbrus, com 5.642 metros de altitude. O acesso, em tese, pode ser feito de forma independente, mas por se tratar de área em constante conflitos de fronteiras, é mais seguro desembolsar os cerca de US$ 4.500 (R$ 25.650) cobrados, em média, pelas agências locais. Vale ressaltar que, desde o início da guerra da Rússia com a Ucrânia, dizer por aí que se vai tentar o Elbrus não pega bem nos salões do meio. Se o cidadão fizer muita questão, é melhor esperar um pouco até ver como se resolve a confusão.
Na Antártida, o acesso ao monte Vinson (4.892 metros) inclui necessariamente deslocamento aéreo e o resultado final é de algo em torno dos US$ 55.000 (R$ 313.500).
De lá, vamos para os cumes da discórdia, na Oceania. Para quem considera o sétimo pico a Pirâmide Carstensz (4.884 metros), o passeio até o topo da Indonésia só pode ser feito por meio de agências e sai por volta dos US$ 20.000 (R$114.000). Já se o cidadão aceitar como sétimo o australiano Kosciuszko (2.228 metros), pode se abalar a assinar o livro de cume por conta própria, sem cobrança de permissão.
Lembrando que todos esses valores não incluem as tarifas dos deslocamentos de e para os respectivos destinos, nem a maior parte dos equipamentos pessoais, podemos estimar que completar a planilha não vai sair por menos de US$ 140.000 (R$ 798.000), podendo chegar a salgados US$ 253.000 (R$ 1.442.100).
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