“Vamos ser claros. Se jogarmos 100 vezes com eles, vamos perder 99. Então é simples, temos que fazer deste jogo o único que venceremos.” A ironia da frase do técnico Michel Kniat, dita na véspera, virou realidade na noite desta terça-feira (1º). O Arminia Bielefeld, da terceira divisão, bateu de virada o Bayer Leverkusen, atual campeão da Bundesliga, e se classificou para a final da Copa da Alemanha.
O improvável placar de 2 a 1 foi um dos poucos temas a disputar as manchetes dos jornais do país com o aguardado tarifaço de Donald Trump. O Bielefeld, com 120 anos de história, é um clube de trajetória peculiar, que já chegou a ser chamado de “elevador” pelos constantes acessos e rebaixamentos _desde 1963, quando a Bundesliga foi criada, o time acumula oito quedas para a segunda divisão e quatro para a terceira.
Na temporada passada, inclusive, o Bielefeld flertou com a zona de rebaixamento para a quarta divisão, algo que seria inédito. As coisas estão bem mais confortáveis no atual campeonato, em que ocupa a quarta colocação, ainda não suficiente para o acesso (os dois primeiros sobem, e o terceiro disputa um play-off com o terceiro pior da divisão acima).
“Jogamos com muita paixão, isso foi fundamental. Foi ótimo ir para o intervalo com a vantagem e, no segundo tempo, mantivemos a pressão para uma vitória merecida”, declarou Kniat, destacando a resiliência de seus jogadores, que tomaram um gol aos 17 minutos, empataram em seguida e conseguiram a vantagem nos acréscimos do primeiro tempo. “Foi absolutamente surreal”, afirmou Maximilian Grosser, autor do gol decisivo.
É a quarta vez que um clube da terceira divisão alcança a Copa da Alemanha, que, diferentemente da versão brasileira, é disputada em jogos únicos. Seria injusto, porém, creditar o sucesso do Bielefeld apenas ao formato. No atual torneio o time já eliminou quatro clubes da primeira divisão, e a última vítima, o Leverkusen, além de ser o atual campeão da Bundesliga e finalista da Champions, também defendia o título da Copa.
Dirigentes do clube, que está a seis pontos do líder Bayern na primeira divisão, reclamaram que o Bielefeld não irrigou o campo minutos antes da partida, praxe na Bundesliga. “Não é obrigatório, nunca fazemos isso. Faríamos hoje por que?”, declarou Michael Mutzel, diretor do Bielefeld. O gramado molhado faz a bola rolar mais rápido, o que favorece equipes que prezam a posse de bola e os passes, como a de Alonso, que no ano passado se tornou o técnico europeu com a maior sequência invicta da história, com 51 partidas sem derrota.
Campeão mundial com a Espanha em 2010 e bicampeão da Eurocopa, o ex-craque do Liverpool e do Real Madrid teve uma ascensão meteórica como técnico. Após duas temporadas no Real Sociedad, assumiu o Leverkusen na zona do rebaixamento em 2022 e, no ano passado, interrompeu a hegemonia do Bayern, que já durava 11 temporadas.
“Não conseguimos causar impacto no ataque e cometemos muitos erros na defesa. Foi claramente o nosso pior jogo nesta temporada. Temos de aceitar que fizemos besteira”, declarou o volante Robert Andrich.
O Bielefeld disputará a final, também em jogo único, em 24 de maio, no estádio Olímpico de Berlim. O adversário sairá nesta quarta-feira (2) do duelo entre Stuttgart e Leipzig, atuais 11º e 6º colocados da Bundesliga. “Não precisamos de sorte”, afirmou o treinador Kniat.
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