Após decisão unânime da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), Jair Bolsonaro se torna réu, junto com outras sete pessoas, sob acusação de tentativa de golpe de Estado. Monitoramento da Palver indica que usuários dos grupos públicos de direita no WhatsApp já estavam preparados para o desfecho.
A linha discursiva nesse campo já estava sendo preparada desde dezembro. O argumento é que o STF e Alexandre de Moraes são parciais e não estão promovendo um julgamento justo contra o ex-presidente.
As menções a Bolsonaro atingiram o segundo maior pico do ano, atrás apenas do dia em que ocorreram os protestos em Copacabana, em 16 de março. Após a conclusão do julgamento nesta tarde (26), o ex-presidente enviou um texto em canal de WhatsApp e pediu que seus seguidores compartilhassem. Nos grupos analisados pela Palver, o texto circulou entre usuários de direita.
A narrativa de um julgamento injusto é alimentada por uma série de vídeos e textos que procuram minimizar os ataques de 8 de janeiro. O próprio Bolsonaro participou de uma diversas entrevistas e podcasts nos últimos meses sempre argumentando que os presos pelos ataques são “coitados” e que apenas fizeram baderna.
Por essa razão, uma parte dos usuários nos grupos de WhatsApp circulou durante esta tarde um trecho do julgamento em que Moraes apresenta vídeo com os ataques. Na filmagem, é possível identificar a violência utilizada para furar os bloqueios policiais e invadir os prédios dos três Poderes.
Para reforçar a sensação de parcialidade do julgamento, usuários de direita compartilharam uma série de vídeos em grupos tentando atacar a reputação do ministro, procurando o vincular a supostos crimes financeiros no exterior e envolvimento com pedofilia, ambas acusações sobre as quais não há qualquer evidência.
Nos ataques contra Moraes, há também vídeos tentando associar Trump e Musk a supostas investigações contra o ministro. A mensagem principal é de que “há uma bomba prestes a explodir” e que “as horas (de Moraes) estão contadas”.
Há, ainda, uma tentativa de promover medo e senso de urgência na população para que ajam e se mobilizem. Diversos vídeos, identificados pelos algoritmos da Palver como possivelmente automatizados, foram disseminados nos grupos afirmando que a prisão de Bolsonaro resultará em caos social.
Em um dos vídeos que mais circulou, um homem vestido com a camisa do Brasil fala em tom agressivo e incitando a violência, reforçando que, caso Bolsonaro seja preso, o Brasil vai parar. Outros vídeos na mesma linha foram produzidos para indicar que os caminhoneiros bloqueariam as estradas. Contudo, no monitoramento da Palver não foi possível identificar nenhuma articulação desse tipo ocorrendo nos grupos públicos de WhatsApp e Telegram.
Nos grupos de esquerda, os usuários ironizaram a situação de Bolsonaro com uso de memes e imagens jocosas. Em um dos memes, que circulou com maior intensidade, há uma foto de Bolsonaro sentado assistindo ao julgamento e uma foto da ex-presidente Dilma Rousseff, juntamente com a legenda: “Bolsonaro sentado no banco dos réus/Dilma sentada no banco dos Brics”.
A esquerda, portanto, reagiu de forma espontânea e difusa ao julgamento de Bolsonaro, enquanto a direita se manteve firme na tese de perseguição e injustiça, adicionando novos tipos de ataques contra Alexandre de Moraes, na tentativa de atingir sua reputação e reduzir a força de suas decisões.
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